Com o objetivo de aproximar cada vez mais a Defensoria Pública do cidadão e possibilitando a criação de um verdadeiro canal de diálogo, as defensoras públicas do Rio de Janeiro, Renata Tavares Bessa, Clarisse Pitta de Noronha e Gabriela Menezes Gulla participaram das atividades do Fórum Social Mundial, evento que reuniu, de 27 de janeiro a 1º de fevereiro, na cidade de Belém, cerca de 130 mil participantes e mais de 5.800 organizações de 150 países.
As defensoras, que atuam no Núcleo do Sistema Penitenciário da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, trabalharam intensamente na divulgação do papel da Defensoria e do funcionamento dos órgãos de atendimento no stand montado pela ADPERJ. Aproveitaram ainda, para participar de diversas atividades propostas por entidades ligadas ao ensino nas instituições penais, que discutiram, dentre outros temas: a remição por estudo, a educação como um direito humano, a educação infantil, de jovens e adultos. Na ocasião, deliberaram pela criação de uma rede para colher informações e criar uma agenda comum, viabilizando a implantação do ensino de qualidade dentro dessas instituições, a legalidade da remição por estudo, dentre outros.
Em um encontro que atraiu diversos cidadãos, professores, defensores públicos e contou com a presença do deputado estadual Marcelo Freixo, as defensoras criaram um espaço de discussão sobre os limites do poder de punir do Estado e os direitos da personalidade da pessoa presa, estabelecendo inicialmente duas frentes de trabalho: a extinção do exame criminológico e do art. 127 da Lei de Execuções Penais (LEP).
Diante disso, o evento foi uma oportunidade para as defensoras públicas iniciarem um movimento para arrecadar assinaturas para o Projeto de Lei, de iniciativa popular, que visa revogar o art. 127, da LEP, que declara a perda da totalidade dos dias remidos pelo preso condenado por falta grave. No entanto, como era preciso o título de eleitor para formalizar o documento, as defensoras optaram por entrar em contato com associações e movimentos sociais de todo o país para que sejam recolhidas assinaturas em suas bases e enviadas ao Núcleo do Sistema Penitenciário.
Segundo a defensora pública Renata Bessa, o evento teve fundamental importância na busca pela "afirmação da Defensoria como uma Instituição que age não só junto ao Poder Judiciário, mas também ao lado do povo, numa atuação pró-ativa, junto aos movimentos sociais, criando espaços públicos de debate, onde se pretende a construção de uma sociedade mais participativa, verdadeiramente igualitária, onde a democracia, transcendendo seu fundamento jurídico, represente o fim da opressão do homem pelo homem".



